Este pequeno detalhe está no canto inferior direito do painel central.
O acto de descrever uma imagem não constitui em si mesmo um processo criativo, antes um esforço de colaboração com o criador, numa tentativa de interpretação espiritual da imagem.
Da descrição da côr, de um gesto, de um detalhe, resulta uma leitura possível do processo criativo.


Amor Sagrado e Profano, obra-prima de Ticiano (1490-1576), foi pintada quando tinha aproximadamente 25 anos, para celebrar o casamento do veneziano Nicolò Aurélio (vide brasão no sarcófago) com a jovem viúva Laura Bagarotto, em 1514.
A noiva vestida de branco, sentada ao lado de Cupido, é ajudada pessoalmente por Vénus. A figura com o vaso de jóias simboliza a “fugaz felicidade na terra” e a que segura a chama ardente do amor de Deus simboliza a “felicidade eterna no céu”.

O título resulta de uma interpretação de meados do século XVIII e que dá desta obra uma leitura moralista da figura nua, considerando que o artista pretendeu assim exaltar o amor terrestre e o amor divino. Na realidade, a filosofia Neoplatónica do amor sagrado e profano em que Ticiano e o seu círculo acreditavam, contemplando a beleza da criação, conduziu a uma consciência da perfeição divina da ordem do universo. É por estas e por outras que temos divas.
Nesta pintura de amor campestre, Ticiano exaltou a delicada poesia lírica de Giovanni Bellini ou Giorgione e atribuiu-lhes uma grandeza clássica. O Amor Sagrado e Profano de Ticiano é um ícone da Galleria Borghese.
Quatro anos depois de ter estado exposta em Viena, mais propriamente na Galeria Albertina, a obra S. Jerónimo, do pintor alemão Albrecht Dürer (Nuremberga, 1471-1528), voltou a ser retirada do primeiro piso do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa. Desta vez, o destino da pintura, um óleo sobre madeira de carvalho datado de 1521, foi o Museu Boijmans van Beuningen, em Roterdão, que solicitou ao MNAA o quadro de Dürer para o integrar na exposição Imagens de Erasmus.
Em contrapartida, o museu nacional propôs uma permuta e pediu “uma boa peça da colecção” pertencente à instituição holandesa, contou ao PÚBLICO o director do MNAA, Paulo Henriques. A resposta agradou sobremaneira à direcção do museu lisboeta: o Boijmans van Beuningen expedia para Lisboa o Titus sentado à secretária (1655), de Rembrandt (1606-1669), uma das obras-primas do pintor, nunca exposta em Portugal. Atendendo à elevada importância de S. Jerónimo - é a única pintura de Dürer no país (a Fundação Gulbenkian possui alguns desenhos), está classificada como tesouro nacional e o MNAA aponta-a como uma das “dez obras de referência” do museu -, Paulo Henriques pediu ainda desenhos e gravuras de Rembrandt, o que permitiu organizar a exposição que se inaugura no dia 16, numa das salas do MNAA. O quadro Titus sentado à secretária (retrato a óleo do filho do pintor) estará acompanhado por mais oito obras: desenhos de Saskia (mulher de Rembrandt), de Titus e da mãe do pintor; e ainda duas gravuras (uma anunciação do nascimento de Jesus e uma adoração dos pastores). Esta exposição com trabalhos de Rembrandt, inédita na história do MNAA, ficará até 8 de Fevereiro, data em que encerra também Imagens de Erasmus, em Roterdão. Refira-se ainda que somente a Fundação Gulbenkian possui, na sua colecção, duas obras do pintor holandês. O Museu de Arte Antiga tem, segundo o seu director, uma gravura e desenhos cuja atribuição a Rembrandt não está confirmada.
Dürer pintou S. Jerónimo em Antuérpia, em Março de 1521. Escreveu então no seu diário: "Pintei cuidadosamente S. Jerónimo e ofereci-o a Rui de Portugal." O painel - único quadro religioso que pintou - foi exibido na capela privada do diplomata de Antuérpia e mais tarde trazido para Portugal.
A figura do santo é baseado num desenho de um velho homem barbudo. No desenho, inscreveu Dürer: "O homem tinha 93 anos e era ainda saudável e forte." O crânio na pintura que Dürer também tinha esboçado separadamente (Graphische Sammlung Albertina, Viena), provavelmente era provavelmente o "pequeno crânio" que tinha adquirido anteriormente em Colónia.
Nesta obra, S. Jerónimo exibe as características enrugadas do velho de 93 anos e repousa a mão direita na cabeça em pose comtemplativa. Com o dedo da mão esquerda, toca suavemente o crâneo, símbolo da perenidade da vida. O crânio é simbolicamente colocado entre a Bíblia aberta e o tinteiro, numa alusão ao tradutor do Livro Sagrado. O velho S. Jerónimo olha angustiadamente para fora do quadro.
Filho de Rembrandt e Saskia Uylenburgh, Titus nasceu em 1641. Após a morte prematura de sua mãe, Titus foi entregue aos cuidados de Geertge Dircx e mais tarde de Hendrickje Stoffels que, após a falência de Rembrandt, criou com Titus um negócio de arte de modo a liquidar as dívidas do pai, de quem recebeu formação artística. Morreu em 1668, um ano antes da morte de Rembrandt.
A figura de Titus aparece em várias pinturas de Rembrandt: quer como monge, quer vestindo um traje elegante com boina ecorrente de ouro.
Nesta obra, é visto como aluno sentado à escrivaninha, divagando sobre o seu trabalho. Com a mão direita, segura a caneta de pena com que escreve e, com a esquerda, o porta-canetas e o tinteiro. Os braços e os documentos são fruto de pinceladas únicas e na escrivaninha vemos as marcas da espátula de Rembrandt.
A saída temporária do S. Jerónimo foi sujeita à autorização prévia do Ministério da Cultura, tal como a lei estabelece na expedição de bens nacionais. Mas o seu estatuto de "peça central" do MNAA exigiu "muita ponderação", notou Henriques. "A ponderação do empréstimo foi muito bem feita e teve em conta a altíssima qualidade da exposição do Boijmans van Beuningen", disse, apontando ainda que o óleo se encontra em "excelentes condições". "Não tem quaisquer problemas de conservação", assegurou. A estas circunstâncias favoráveis acresceu o "grande empenho" da embaixada dos Países Baixos em Lisboa, que permitiu que a permuta fosse concretizada "sem encargos financeiros" para o MNAA.
O empréstimo do quadro (foi oferecido por Dürer, ainda em 1521, ao diplomata português em Antuérpia Rui Fernandes de Almada, tendo sido comprado pelo Estado em 1880) não é inédito. Mas a sua saída temporária já foi proibida, há três anos. Em 2004 esteve patente numa mostra dedicada a Dürer em Viena, na Galeria Albertina, juntamente com os quatro desenhos preparatórios de S. Jerónimo. Contudo, um ano depois, quando o Museu do Prado, em Madrid, organizou uma exposição dedicada ao artista, inédita na Península Ibérica (57 desenhos e 29 gravuras) e solicitou ao MNAA o quadro, o Estado recusou o empréstimo. "Não passou por mim", disse Henriques, referindo que, na altura, era Dalila Rodrigues quem dirigia o museu.
fonte: Público
Cenas de divertimento e sedução num interior luxuoso, associando pictoralmente um subtil e refinado tratamento da luz com um espaço rigorosamente construído em perspectiva, esta obra de Pieter de Hooch (1629-1684) é uma das mais representativas e magistrais deste contemporâneo de Johannes Vermeer. É também um interessante jogo de ambiguidades interno à própria imagem, o significado da composição extravasando a mera representação de uma cena galante do quotidiano de Amesterdão pelos meados do século XVII. A habitual designação da pintura - Conversação - não passa talvez de um pobre eufemismo moderno.Obras do mesmo período -
A arte de Kim Prisu, beirão a quem Torga certamente não chamaria “estrangeiro”, está na origem da nova figuração surgida nos idos de oitenta do século passado, em contraponto à tendência conceptual e minimalista que vinha da década de 60; Durante o período que passou em Paris, KIM PRISU desenvolveu a arte “Videomatik”, um universo de forte ressonância, enriquecido por uma multidão de Culturas urbanas e a doce violência da natureza do campo luminoso, o que conferiu à sua obra um forte contraste entre as cores duma sociedade de consumo (Eléctricas e saturadas) e as da Terra nutridora.

A sua obra está submetida a uma permanente transformação, existindo uma relação entre as tensões exteriores e interiores, a representação expressiva dos estados humanos, uma expressão de Médium, numa crítica das suas possibilidades artísticas e sociais. Poesia do efémero, ligação entre os elementos textuais que escapam a qualquer lógica evidente, poética fragmentária; conduzindo-se aos saltos, sendo por vezes contraditória da realidade.
Em 1989 KIM PRISU criou o espírito Nuklé-Art e em parceria com A. L. Tony, construiu uma Aldeia Cultural em Aldeia da Dona. Hoje podem-se ver várias esculturas e mobiliário de sinalética ligadas à memória cultural do sítio onde estão erguidas.
Giambattista Tiepolo (1696, Veneza - 1770, Madrid) colaborou com o pintor veneziano Girolamo Mengozzi Colonna no fresco da nave da igreja de Stª. Maria de Nazaré no período 1743-45, segundo uma cuidadosa preparação de estudos e modelos.
O fresco grandioso que descreve o transporte da casa santa de Loreto, quase foi destruído durante Primeira Guerra Mundial. Os poucos fragmentos restantes, como este Adoradores, são suficiente para evocar a riqueza da côr e concepção desta importante realização decorativa.Os tons branco e prata do santuário são iluminados pelas cores deslumbrantes das peças de vestuário do nobre que observa a aparição religiosa, enquanto o servo olha curiosamente para a nave, abarrotada pela multidão.
Esta cena de prisão está relacionada, no modo e no carácter, com várias pinturas de cenas de guerra e outros temas inspirados pelas invasões napoleónicas. Prisioneiros de guerra - e não só - estáo entre as vítimas de injustiça e crueldade, retratadas em muitos dos desenhos e gravuras de Goya. Um homem aguilhotinado é o tema desta gravura, das mais antigas de Goya; Outras formas de castigo e tortura serão representadas em trabalhos posteriores.
A obra, executada com um mínimo de cor, é notável pela atmosfera de escuridão e o efeito de sofrimento anónimo, criado pelos contornos de luz das figuras indistintas, na enorme caverna comum.

Na Antiguidade Clássica, entendia-se por belo o que agradava, o que era atractivo ao olhar, ou o que era belo espiritualmente, não coincidente com a beleza do corpo?
Para Platão, a única realidade era a do mundo das ideias, de que o nosso mundo material é uma sombra e imitação; O feio era assim o não-ser, uma imperfeição do mundo ideal.
Aristóteles, na Poética, dizia sobre a origem da Poesia, que o imitar é congénito no homem, pois os primeiros ensinamentos lhe são proporcionados pela imitação, tão mais agradável quanto mais perfeita.
A tradição satírica, difundida na Europa pelos humanistas, é bem patente na obra Esopo, de Diego Velazquez
Este Esopo, de nariz achatado, não era provavelmente o homem simples, de traços marcados pelo trabalho , que representava o ideal cínico da modéstia e da sabedoria das pessoas vulgares da sua época; Velázquez deu a Esopo as características típicas do homem cabeça-de-boi, das Fábulas. Os olhos assumem igualmente relevo, pelo tom de desprezo e de ironia, característicos nos anões e nos tolos de Velázquez.