junho 15, 2006

Emulação da Música



A invenção da melodia, a descoberta de todos os mais íntimos segredos da vontade e da sensibilidade humanas, é obra do génio.
A sua acção é mais visível aí do que em qualquer outro lado, mais irreflectida, mais livre de qualquer intenção consciente; é uma verdadeira inspiração.
A ideia, quer dizer, o conhecimento preconcebido das coisas abstractas e positivas, neste ponto, como em toda a arte, é completamente estéril; o compositor revela a mais íntima essência do mundo e exprime a mais profunda sabedoria numa linguagem que a sua razão não compreende; tal como uma sonâmbula dá respostas claríssimas sobre assuntos dos quais, desperta, não conhece absolutamente nada.

in Pensamentos, de A. Schopenhauer




Período - Cubismo Analítico

junho 13, 2006

O Milagre de Santo António, de Francisco José de Goya

A liberdade de criação concedida pelo Rei Carlos IV a Goya ( 1746-1828), permitiu-lhe executar, de forma pouco convencional, a cúpula da Capela de Santo António, em Madrid.

Destituída de seres celestiais, está povoada com rostos de expressão humana, que assistem ao milagre do santo.




Ao contrário dos anjos, que não caem do céu, na cúpula - enfaticamente terrena - os homens precisam da grade para se segurarem.



Na presença da turba lisboeta, Santo António devolve a vida ao homem assassinado, para que assim o seu pai seja declarado inocente.









detalhe

Posted by Picasa clique nas imagens para ampliar

maio 31, 2006

deusas menores


Graça Morais "ilustrada" por Sophia de Mello Breyner Andresen.
No Centro Nacional de Cultura, até 30 de Junho.




Soneto de Eurydice

Eurydice perdida que no cheiro
E nas vozes do mar procura Orpheu:
Ausência que povoa terra e céu
E cobre de silêncio o mundo inteiro.

Assim bebi manhãs de nevoeiro
E deixei de estar viva e de ser eu
Em procura de um rosto que era o meu
O meu rosto secreto e verdadeiro.

Porém nem nas marés, nem na miragem
Eu te encontrei. Erguia-se somente
O rosto liso e puro da paisagem.

E devagar tornei-me transparente
Como morte nascida à tua imagem
E no mundo perdida esterilmente.

maio 21, 2006

A minha Kahlo preferida


O acidente que marcou a sua vida.
A evocação do autocarro em que viajava.



(A)fetos. A lenta agonia na cama de hospital.
A impossibilidade de gerar vida.


As marcas de uma faca na moldura salpicada de cor de sangue;
O crime passional trazido para fora da tela.

maio 16, 2006

Morte de São Francisco, de Bartolomeo Carducho



Cada personagem, cuidadosamente pousada no lugar certo, como num presépio.

Os gestos e as expressões dos franciscanos, profundamente humanas, na prece e no sofrimento pela perda, em absoluto contraste com a vida que se extingue.

Os pequenos adereços, a frugalidade ascética destes homens...



Em contemplação

maio 04, 2006

Chichorro, João


Inaugura hoje (creio que com o acervo da Galeria) uma exposição deste arquitecto, artista plástico, designer e presidente da secção portuguesa da International Interior Design Association.
Até dia 24, na Galeria São Mamede.

abril 28, 2006

Colecção Rau - Canaletto



Esta obra de Canaletto (1697-1768) pertence ao período mais luminoso do pintor vedutista (de vista, paisagem, perspectiva), que se iniciou como cenógrafo.
Por esse facto, as figuras surgem salpicadas, como se de uma peça de teatro se tratasse, com a finalidade de dar vida à fachada palaciana.
É a celebração da própria história de Veneza que aqui vemos, numa grandiosa coreografia.

abril 17, 2006

abril 14, 2006

Hércules e Ônfale, de François Lemoyne

Entre o mito e a saga heróica, Hércules, o deus protector dos homens e guardião das cidades, de regresso a Tebas após ter realizado os Doze Trabalhos, teve um acesso de loucura e matou Iphitus.
Procurou então o perdão do deus grego Hermes, que o condenou a três anos de servidão à rainha Ônfale, de quem se tornou amante.




A humilhação de Hércules ao serviço de Ônfale, simboliza nesta obra de Lemoyne (1688-1737) o domínio da mulher - grandemente ilustrado no final do Período Barroco - , é visível pela troca de adornos: o semideus, coberto por um drapeau de motivos dourados, executa uma tarefa feminina, segurando um fuso e uma roca, enquanto a rainha se cobre com uma pele de leão.



O pôr-do-sol em fundo deixa antever a noite de amor que se aproxima.




Enrolada na pele de leão de Hércules, Ônfale tem o peito descoberto, deixando visível a tonalidade clara da sua pele, em contraste com o tom bronzeado do amante.






Com o cabelo solto sobre o peito, Ônfale inclina-se num suave abraço a Hércules, cujo rosto, na penumbra, deixa mais visíveis os seus atributos físicos.





clique nas imagens para ampliar